A VAIA
"Se vocês entendem de política como entendem de estética, nós tamos fodidos". Esse discurso do Caetano ficou famoso no festival da canção: foi um happening - o público vaiando e ele falando. Tem que ser muito homem pra isso.
Mas se pensarmos bem, esse discurso permanece atual.
O que aconteceu com a menina que usava minisaia e foi expulsa do colégio, é um exemplo. Depois a direção da escola voltou atrás, mas foi preciso que houvesse muita pressão.
Claro que os tempos são outros e o incidente da faculdade aparentemente não tem nada a ver com o que aconteceu no festival da canção. Ou tem? Eram todos universitários, né?
O pior é que a menina foi no Programa do Serginho Grossman e a molecada, todos eles estudantes, pareciam unânimes em discordar dos seus trajes.
Assim como vaiaram o Caetano, vaiaram ela também na faculdade. E pareciam enfurecidos.
Assisti depois a um filme do Ang Lee sobre Woodstock e coincidentemente as coisas pareciam fechar. Elas ressoam entre si. A resistência da população local aos hippies faz eco ao festival e à universidade. É uma vaia que tem a mesma ressonância apesar da diferença de tempo e propósito. A base é uma só.
Por fim, o Gogol Bordelo, super cultuado por aí, foi ao Programa do Jô e deu uma entrevista patética. Perguntado se improvisavam muito no palco, o ucraniano parecia se sentir ofendido. "Não somos um bando de hippies tocando na praça". E ironizou a idéia de improvisação (foi preciso que o Jô lembrasse Duke Ellington).
Vivemos tempos estranhos.
Mas de vez em quando, temos a impressão que nada mudou. E isso é ruim.
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