THE DEAD
Um dia me perguntaram se toco violão.
Eu toco punheta.
Violão é o caralho!
Esse sou eu.
E nextel é uma merda.
É rádio, é celular.
e pode ser para você.
Não pode ser para mim.
O que é inteligente, ilimitado e direto,
não é poesia.
Acesse outros canais
porque não vou anunciar nada.
Eu sou vácuo,
malgrado tudo que minha vó dizia:
“transforme seus sonhos em vôo”.
Vó, eu os transformei em rela.
Vó que se transformou em pó,
eu tô voando.
Vó, eu to indo pra puta que pariu,
e desistir faz parte dos meus planos.
Tenho treze discos gravados,
um dvd,
um livro publicado,
e estou em vias de gravar meu último disco:
SKYLAB X.
Meu work in progress é o Godard City.
Ah sim: tenho um livro de contos que permanence infinitamente no prelo,
assim como eu.
Pra quem pensava em se matar aos dezessete,
até que tá uma merda.
Mas a gente pode retomar antigos projetos.
A gente pode dizer FIM
(o que não deve ser muito fácil
pra quem se enriqueceu com a indústria fonográfica).
A gente pode dar uma banana às redes sociais:
não usar intenet, rádio, celular,
e virar uma sombra de si mesmo.
Você vai estudar Publicidade?
Entendo.
Você gostou de “Cidade de Deus”?
Entendo.
Você quer comprar um Hyundai?
Entendo.
Você é um cara legal?
Entendo.
Em outras palavras:
você era um surfista,
um vagabundo,
e em três meses criou uma das maiores empresas do Brasil,
e em oito, uma das maiores do mundo.
Entendo.
E lá vou eu pelo Central Park.
Estou bem próximo ao Dakota.
Lutei, desisti, abandonei, duvidei, esqueci, me encontrei:
não sou ninguém
e não tenho escolha.
Vou como um autômato
ao lado de uma japonesa.
Chegamos finalmente ao destino,
quando um casal de fã pediu uma foto.
Essa é a minha vida,
esse é o meu clube.
Nenhum comentário:
Postar um comentário