ROMEU E JULIETA
Eu o havia conhecido numa festa no Circo Voador.
Até hoje não entendo direito o que aconteceu. Ele preenchia meus pensamentos e nunca me senti tão interessada por alguém como estava me sentindo por ele. Marcamos pela internet um encontro justo na véspera da eleição. Eu nunca tive relação com política, nunca entendi político e nunca fui partidária de ninguém. Na nossa conversa pela internet, remeti a ele uma canção: http://www.youtube.com/watch?v=7K1ic8lSkjs&feature=player_embedded
Ele achou a música muito melancólica.
Eu a achava linda.
E ficou pasmo em saber que eu votaria no Serra.
Mas isso pra mim não tinha a menor importância: votaria no Serra apenas por uma questão familiar. Todos os meus parentes eram Serra: era pra mim ponto pacífico.
Na véspera da eleição nos encontramos.
E eu me entreguei de corpo e alma.
Só não podia imaginar que ele era PT.
E enquanto me comia, mordia minha orelhinha e dizia sussurrando: você vai votar na Dilma. E repetia as palavras de ordem, durante toda a noite: você vai votar na Dilma. O meu ato de entrega vinha acompanhado do mesmo bordão: você vai votar na Dilma. Era impositivo. Nenhuma argumentação se sucedia. E nem era preciso diante da urgência dos corpos na cama.
No dia seguinte, procedi como de costume. E pra disfarçar, lembrei aos velhos o número 45.
Meus pais não podiam imaginar. Mas dentro da cabine eleitoral, diante de mim própria, minhas pernas tremeram, vacilaram.
Quem sou eu? Quem sou eu?
Eu era dele.
E lhe obedeci como uma cadelinha no cio.
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